Quarto de despejo é lugar que se joga os lixos. E eu sou o lixo da sociedade.
Carolina Maria de Jesus
Carolina Maria de Jesus (1914–1977) foi escritora e catadora de papel mineira que viveu na Favela do Canindé, em São Paulo. Sem ter completado o ensino fundamental, escreveu diários que relatam com crueza e poesia a vida na favela. Descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, publicou Quarto de Despejo (1960), que vendeu mais de 100 mil exemplares no Brasil e foi traduzido para mais de 40 idiomas. Sua obra pioneira deu voz à miséria brasileira e tornou-se documento histórico e literário fundamental.
Quarto de despejo é lugar que se joga os lixos. E eu sou o lixo da sociedade.
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Frases de Carolina Maria de Jesus
A fome é amarela, tem o rosto amarelo.
Quando eu não tenho nada para comer, eu penso em suicidar.
O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome.
A favela é o quarto de despejo de São Paulo.
O pobre não repousa. Não tem o privilégio de gozar descanso.
Eu classifico São Paulo assim: O Palácio, é a sala de visita. A Prefeitura é a sala de jantar e a cidade é o jardim. E a favela é o quintal onde jogam os lixos.
Eu tenho a impressão que estou no mundo sem pertencer ao mundo.
A vida é igual um livro. Só depois de ter lido é que sabemos o que encerra.
O dinheiro é quem orienta as ações do homem.
Os políticos sabem que eu sou poetisa. E que o poeta enfrenta a morte quando vê que o seu ideal é prejudicado.
Eu escrevo porque a vida não me alegra.
A única coisa que não existe na favela é a solidariedade.
O senhor sabe o que é fome? Não sabe, porque quem sabe é quem sente.
Eu deixo de comprar um sabonete para comprar pão.
A mulher que não sabe ler é como um cego que anda nas trevas.
Quando alguém nos olha com desprezo, aquilo dói na alma.
A fome também é professora.
Eu disse que iria lutar, e estou lutando.
O mais triste não é a pobreza. É não ter esperança.


