Todas as Poesias
De Menino de Engenho
Eu tinha mais certezas do que as verminoses:
certeza de que o sabiá cantava para mim,
certeza de que os vagalumes acendiam para mim,
certeza de que as tardes morriam para mim.
Depois cresci, e já não sei.
Já não sei se canto para mim
ou para as rosas.
Já não sei se acendo para mim
ou para os outros.
Já não sei se morro para mim.
— Manoel de Barros