Todas as Poesias
Elegia 1938
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis te vêm pelos jornais sob o zumbir das rotativas
e te desprezam como resíduo.
Caminhas entre mortos e entre mortos te pareces
a um morto mais engenhoso e capaz.
Mas és vivo. E sabes.
E não deixes de amar. Ama e entende.
A hora é de ternura. Não deixes de amar.
— Carlos Drummond de Andrade