Todas as Poesias
Evocação do Recife
Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois —
Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância
A rua da União onde eu brincava de chicote-queimado
e partia as vidraças da casa de dona Adelaide
Totônio Rodrigues era muito velho e fazia valsas
A게nte brincava no terreiro
Olhando o rio cheio de barcaças
A gente ia jogar bola no seco
Recife...
Meu avô morto.
Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro.
— Manuel Bandeira