Todas as Poesias
Leito de Folhas Verdes
Por que tardas, Jatir, que tanto a custo
À voz do meu amor moves teus passos?
Da maloca soou o fim do dia,
Já desponta a lua por entre os galhos.
Vem, Jatir, meu amante, vem depressa!
Já o sabiá prepara o canto doce,
A juriti nos ramos suspirando
Aos beijos da noite se estremece.
Vem, Jatir, meu amante, a noite é bela!
É tão doce ao luar entre os cajueiros.
Leito de folhas verdes preparei-te,
Vem, que os meus braços são teus travesseiros.
— Gonçalves Dias