Todas as Poesias
Lembrança de Morrer
Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.
E nem desfolhem na minha cama a rosa,
Em sinal de saudade,
De que vale um suspiro da saudade
Perdido no vazio?
Antes o enterro sem um amigo,
Sem uma prece, sem um ai, sem flores,
Sem as ruínas do meu berço antigo
Sem os tristes amores!
— Álvares de Azevedo