Todas as Poesias
O Menino de Sua Mãe
No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas traspassado
— Loss duas, basta uma —
Jaz morto, e arrefece.
Raia-lhe a farda essa
De nenhum seio amado.
Ao luar do fim da tarde
É branco e loiro e magro.
Tão jovem! que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o perdera.
O menino de sua mãe.
— Fernando Pessoa