Todas as Poesias

Os Sapos

Manuel Bandeira

💭 Reflexão📚 Clássico

Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
— "Meu pai foi à guerra!"
— "Não foi!" — "Foi!" — "Não foi!"

O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: — "Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo
Em minha arte; Amo o lido rimo."

Brada em um assomo
O sapo-poeta:
— "Aguardo o Aplauso!
Sou o sapo-peta!"

A bulha dos del Rey
Enche a noite toda.
E uma sapata
A moda.

Manuel Bandeira