Todas as Poesias
Os Sapos
Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
— "Meu pai foi à guerra!"
— "Não foi!" — "Foi!" — "Não foi!"
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: — "Meu cancioneiro
É bem martelado.
Vede como primo
Em minha arte; Amo o lido rimo."
Brada em um assomo
O sapo-poeta:
— "Aguardo o Aplauso!
Sou o sapo-peta!"
A bulha dos del Rey
Enche a noite toda.
E uma sapata
A moda.
— Manuel Bandeira