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Romance LXXXIV ou da Bandeira da Inconfidência
Tiram os panos da sala,
trazem outros de brocado,
armam os arcos de flores,
põem incenso nos altares.
Entre colunas douradas,
já se dispõe o Te-Deum,
pelos vivos, pelos mortos;
pelo que nasce e o que acaba;
pelo que é ruína e alicerce;
pelo que é dor e esperança;
pelo que morre e ressurge;
pela eterna Inconfidência!
Liberdade — essa palavra
que o sonho humano alimenta:
que não há ninguém que explique,
e ninguém que não entenda!
— Cecília Meireles